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Já tive outros e já amei outros. Já sofri por eles e já quase te esqueci graças à eles também. Mas depois que acaba, no fim, ou no intervalo de um para o outro, quando só me sobra eu mesma e minha confusão, meus sentimentos me encaram e me confrontam, e eu só vejo você. Só tem você ao meu redor no sábado de noite terminando com alguém. Tem você quando eu me fecho e não deixo ninguém entrar na minha vida, porque morro de medo e é sua culpa. Você na forma como eu escrevo, na música do Leoni, no texto da coca-cola. Cada parte do que eu sou… ainda é você. Mil anos e alguns caras depois e ainda é você.
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É claro que ninguém nunca vai ser como a gente espera. É claro que precisamos fechar um olho, fingir que não ouvimos determinadas coisas, deixar passar batido outras tantas. Se formos levar tudo ao pé da letra fica muito difícil manter uma amizade. Mas não dá para pisar em ovos o tempo inteiro, não dá pra encenar um papel a todo instante. Precisamos ser nós mesmos. Preciso manter minha naturalidade, não posso viver dando desculpas para sua falta de jeito ou para o meu excesso de sentimentalismo. Sim, eu sei que fico filosofando sobre as coisas e procuro pelo em ovo. Mas ultimamente ando mais simples, mais consciente. O que tiver que ser vai permanecer. É claro que todos os relacionamentos exigem esforço, precisam de um empurrão para funcionar. Mas não posso ser a única a fazer esforço. Dois têm mais força que um. Lembra disso.
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Sempre soube que você não tinha nascido pra isso. E até entendo essa sua intensa vontade de curtir a vida. E te apoio. Vai pra balada mesmo, conhece outras pessoas, beija outras bocas, toca outros corpos. Viaja porque o tempo é curto e o mundo longo. Isso aí, ilude, porque você sempre disse que ainda era novo pra se dedicar a apenas uma pessoa… Fica com outras duas, três, quatro… porque quantidade é luxo. Sai na sexta e volta só no domingo porque não dar satisfação pra ninguém é liberdade. Rotina né? Era disso que você reclamava. Liga pros seus amigos marcando aquele barzinho de terça, combina uma transa casual na quarta e pega uma estrada sem rumo na quinta. Faz tudo o que você não fez quando eu te impedia. Era impedia? A palavra que você usou. Que a partir de agora nada te impeça de aproveitar essa sua nova fase e que, sinceramente, você encontre o que saiu para procurar. E se, por via das dúvidas, algum dia você perceber que tudo isso não passou de uma grande metáfora da sua cabeça e se sentir perdido, me procure. Não pretendo te mostrar o caminho da volta, mas posso te indicar onde vende uma bússola.
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Poderíamos casar. Não chegaríamos sequer perto do exemplo de família perfeita. Teríamos um apartamento, quem sabe uma casa com jardim e um cão com pêlo brilhante. Improvável. Tomaríamos café as cinco da tarde. Você reclamaria o fato de eu ligar o chuveiro horas antes de ir para o banho. Eu, por você ter arranhado meu CD de jogo favorito. Eu não admitiria o quanto você fica bonito quando bravo e você não diria que lembra da cor do sapato que eu usei quando nos vimos pela primeira vez. Discordaríamos quanto a cor das cortinas. Não arrumaríamos a cama diariamente, beberíamos juntos em algum clube no final de semana. A geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias. Adiaríamos o despertador umas trinta e duas vezes só para ficarmos horas na cama enrolando e falando qualquer besteira. Você me ensinaria alguma coisa sobre futebol, e eu te convenceria a assistir aquele filme no cinema. Sentaríamos na sala de pijama e pantufas, você iria direto para o caderno de esportes no jornal e eu comentaria alguma notícia qualquer. Você saberia o nome do meu perfume, eu saberia onde você largou a última edição da revista de música. Sairíamos pra jantar em algum dia de chuva e não nos importaríamos em chegarmos encharcados. Dormiríamos com o computador ligado. Nos beijaríamos no meio de alguma frase. Você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia. Saberíamos.
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Meu maior medo é que nada disso valha a pena. Eu tô apostando todas as minhas fichas e principalmente torcendo para que tudo dê certo. Mas agora, eu quero que você me mostre que a gente está no mesmo time e que eu posso contar com você. Nem que seja para gente ganhar no finalzinho do segundo tempo. Ou perder no comecinho do primeiro. Tanto faz, independente de qualquer alternativa a minha metáfora vai ser sempre a mesma: Ao teu lado, eu nunca perco nada.
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Quem parte, também fica partido?
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Um dia eu junto todos esses relacionamentos que não deram certo, edito as histórias e transformo em livros. Se não me rendeu amor, que pelo menos renda dinheiro.
People don’t say what they’re really thinking. But when you capture the right moment, it says more. (em PARK.ART)
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Nunca entendi o porquê de gostar tanto de histórias românticas. Deve ser por querer tanto que a nossa história tivesse um fim tão previsível quanto. Ou talvez por saber que mesmo depois de tudo nós ainda ficaríamos juntos. Mas, na verdade, acho que não somos bons escritores.
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Eu sou um homem ridículo. No momento dizem que estou louco. Seria um título excelente, se para eles eu não permanecesse nada mais que ridículo.